Roberto Piva in da house

1 de fevereiro de 2010

Piva escrevendo um poema. Ou uma receita de bolo. Poeta também é gente, caramba.

Este é um post breve, apenas para redirecionar os meus preciosíssimos 9,45 leitores (incluindo a libanesa, a japonesa e o sullustano) para o link de um texto meu sobre Roberto Piva – meu poeta brasileiro favorito e responsável pelo meu título tããão importante de Mestre em Teoria da Literatura – que foi publicado esta semana no site do Café Colombo:

http://www.cafecolombo.com.br/2010/02/01/diagnostico-roberto-piva/

Para quem não soube, nessas semanas que se passaram, Roberto Piva andou bem doente, devido a complicações com seu Mal de Parkinson. E não, não farei piadas do tipo “esse alemão que gosta de agitar a gente mais que trio elétrico da Ivete Sangalo” por que o assunto é sério e não estou lá muito bem-humorado esses dias.

Apenas saibam que é muito lamentável ver que um escritor da magnitude desse senhor está aí, fraco e sem condições financeiras, mesmo com sua obra reunida tendo sido publicada muito recentemente, dependente da ajuda de amigos e admiradores. Não que eu esteja pregando que ele mereceria um atendimento vip e exclusivo através de burlos no sistema de saúde (confiram o site de Wellington de Melo para uma crítica pontual a esse privilegismo, aí entre os meus links): reclamo sim que o estado, o mercado e a puta-que-pariu não sejam capazes de respeitar os seus artistas – não que um artista deva ser considerado acima do cidadão comum, mas é triste saber que sua condição é a de viver com um pires na mão. Quando a profissão de escritor será considerada válida, a um ponto em que ele mereça direitos e proventos oriundos do suor de seu rosto (sim, porque literatura ainda é uns 90% transpiração), e não ser alienado dentro de um sistema de molas e rodas dentadas capitalistas e burocráticas de editoras e instituições culturais e etcétera? Um pouco de dignidade à classe faz bem à vista e ao coração.

Bem, leiam lá o textinho. Espero que os admiradores gostem de minhas mal-traçadas linhas, e que os que não conheçam Roberto Piva sintam despertar o interesse em lê-lo mais e mais. Eu, assumindo a responsabilidade que cabe à minha profissão de fé e meu diploma (é, senhor crítico, sua responsabilidade é essa, e não a de alimentar seu eguinho com Sucrilhos), me coloco a disposição de quem quiser se embrenhar na poesia de Piva. Basta me escrever, com açúcar e afeto. “Nada vos oferto/ a não ser essas mortes de que me alimento” (isso é Ferreira Gullar, necessário se faz dizer).

E, como um bônus ao texto pro Café Colombo, incluo aqui o trecho final de “Meteoros”, que deveria ter saído e não saiu. Tudo bem, cena excluída é legal pra fazer uma “Versão do Diretor” – O Harrison Ford se descobre um Replicante, Galadriel dá seus presentes, Hollis Mason é assassinado e nós lemos “Meteoro”, de Piva. Olho no lanceee!

(…)

Eu apertava uma árvore contra meu peito

Como se fosse um anjo

Meus amores começam crescer

Passam cadillacs sem sangue os helicópteros

Mugem

Minha alma minha canção bolsos abertos

Da minha mente

Eu sou uma alucinação na ponta de teus olhos.

(Roberto Piva, “Meteoro”, in Paranóia)

Meus agradecimentos a Renata Santana e à equipe do Café Colombo. Acessem o site na barra de links ao lado. Se escarafuncharem um pouco, talvez achem uma entrevista comigo e Artur Rogério, pro Rádio. Mais, não digo. Tomem mais Piva aí e extasiem!

http://www.youtube.com/watch?v=P2Lhaedkh48

Foto: Rita Alves, projeto “Autor na Praça”, site Overmundo